terça-feira, 4 de março de 2014

Uma frase imensa
Janio de Freitas
“Foi feito para isso sim!”
Palavras simples, para uma frase simples. E, no entanto, talvez a mais importante frase dita no Supremo Tribunal Federal nos 29 anos desde a queda da ditadura.
Um ministro considerara importante demonstrar que determinadas penas, aplicadas pelo STF, foram agravadas desproporcionalmente, em até mais 75% do que as aplicadas a crimes de maior gravidade. Valeu-se de percentuais para dar ideia quantitativa dos agravamentos desproporcionais. Diante da reação temperamental de um colega, o ministro suscitou a hipótese de que o abandono da técnica judicial, para agravar mais as penas, visasse um destes dois objetivos: evitar o reconhecimento de que o crime estava prescrito ou impedir que os réus gozassem do direito ao regime semiaberto de prisão, em vez do regime fechado a que foram condenados.
Hipótese de gritante insensatez. Imaginar a mais alta corte do país a fraudar os princípios básicos de aplicação de justiça, com a concordância da maioria de seus integrantes, é admitir a ruína do sistema de Justiça do país. A função do Supremo na democracia é sustentar esse sistema, viga mestra do Estado de Direito.
O ministro mal concluiu a hipótese, porém, quando alguém bradou no Supremo Tribunal Federal: “Foi feito para isso sim!”. Alguém, não. O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal e presidente do Conselho Nacional de Justiça. Ninguém no país, tanto pelos cargos como pela intimidade com o caso discutido, em melhor situação para dar autenticidade ao revelado por sua incontinência agressiva.
Não faz diferença se a manipulação do agravamento de pena se deu em tal ou qual processo, contra tais ou quais réus. O sentido do que “foi feito” não mudaria conforme o processo ou os réus. O que “foi feito” não o foi, com toda a certeza, por motivos materiais. Nem por motivos religiosos. Nem por motivos jurídicos, como evidenciado pela inexistência de justificação, teórica ou prática, pelos autores da manipulação, depois de desnudada pelo presidente do Supremo.
Restam, pois, motivos políticos. E nem isso importa para o sentido essencial do que “foi feito”, que é renegar um valor básico do direito brasileiro – a combinação de prioridade aos direitos do réu e segurança do julgamento – e o de fazê-lo com a violação dos requisitos de equilíbrio e coerência delimitados em leis.
Quaisquer que fossem os seus motivos, o que “foi feito”; só foi possível pela presença de um fator recente no Supremo Tribunal Federal: a truculência. “O Estado de S. Paulo”; reagiu com forte editorial na sexta-feira, mas a tolerância com a truculência tem sido a regra geral, inclusive na maioria do próprio Supremo. A sem-cerimônia com que o presidente excede os seus poderes e interfere, com brutalidade, nas falas de ministros, só se compara à facilidade com que lhes distribui insultos. E, como sempre, a truculência faz adeptos: a adesão do decano da corte, outrora muito zeloso de tal condição, foi agora exibida outra vez com um discurso, a título de voto, tão raivoso e descontrolado que pareceu, até no vocabulário, imitação de Carlos Lacerda nos seus piores momentos.
Nomes? Não fazem hoje e não farão diferença, quando acharmos que teria sido melhor não nos curvarmos tanto à truculência.

Aécio Neves é vaiado no Carnaval da Bahia

Depois de receber sonora vaia durante o desfile do Pinto da Madrugada, em Maceió, na sexta, o tucano foi novamente hostilizado, desta vez em Salvador.


Altamiro Borges
Valterio Pacheco

O folião Aécio Neves, cambaleante presidenciável do PSDB, nem pode curtir o carnaval em paz. Na semana passada, ele recebeu sonora vaia durante o desfile do Pinto da Madrugada, em Maceió (AL). Nesta sexta-feira (28), o tucano foi novamente hostilizado, segundo relata o sítio do Jornal do Brasil:


"O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) passou por um momento de constrangedor ao receber o atrasado pré-candidato à presidência da República, o senador Aécio Neves, no camarote oficial da prefeitura municipal, localizado no Campo Grande. Aos chegar acompanhado por diversos quadros políticos da oposição baiana aos projetos federal e estadual dos petistas, a multidão vaiou. Os urros foram silenciados após insistentes pedidos de Baby do Brasil e Paulino Boca de Cantor".

Ainda segundo a reportagem, o tucano até tentou disfarçar a sua raiva, "virou as costas para os foliões e concedeu entrevista". Mas a cena constrangedora deve ter tido o impacto de um bafômetro nas ruas cariocas. Pelo jeito, o carnaval de 2014 não trará boas recordações ao senador mineiro. No mesmo dia, ele soube que não terá palanque no Rio de Janeiro, já que o técnico de vôlei Bernardinho rejeitou seu convite para ser candidato ao governo estadual. Em Minas Gerais, seu Estado de origem - embora pouco visitado - a situação do PSDB também é complicada e a legenda "suplica" por apoio.

No caso da Bahia, os tucanos também não terão chapa própria e Aécio Neves ainda não sabe quem ele vai apoiar - se Paulo Souto, do DEM, ou Geddel Vieira Lima, do PMDB.


Créditos da foto: Valterio Pacheco

Demóstenes e Cachoeira; Troca de favores e enriquecimento ilícito



Tramita na 2ª Vara da Justiça Federal em Goiás, em caráter sigiloso, ação de improbidade administrativa contra o procurador de Justiça e ex-senador da República Demóstenes Lázaro Xavier Torres e o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) aponta que, na época, Demóstenes se aproveitou do mandato de senador da República, para obter enriquecimento ilícito, por meio de uma série de vantagens patrimoniais recebidas numa troca de favores com Cachoeira. A ação questiona, entre outros pontos, as cotas de Demóstenes na sociedade de ensino Nova Educação Ltda., que teriam sido declaradas no valor de R$ 200 mil.

Enriquecimento ilícito.

 Na ação contra Demóstenes, os procuradores da República Mário Lúcio Avelar e Marcelo Ribeiro de Oliveira pedem a indisponibilidade das cotas do ex-senador na instituição de ensino, cujo valor, segundo a ação, é bem maior que o informado por ele.

Apartamento - O MPF pede que a indisponibilidade de bens também seja aplicada a um apartamento de Demóstenes no Setor Oeste, que, conforme a declaração de imposto de renda, foi comprado por R$ 1 milhão, subestimando o real valor do patrimônio. A ação está sob análise do juiz Jesus Crisóstomo de Almeida.

terça-feira, 4 de março de 2014

Fernando Brito, Tijolaço

"Saiu a nova lista de bilionários da Forbes.

E, outra vez, os três irmãos Marinho, herdeiros do velho Roberto, somam juntos a maior fortuna do Brasil, com US$ 27, 3 bilhões de dólares, ou R$ 64,16 bilhões

Cada um deles ficou “apenas”  R$ 4,13 bilhões mais rico do que era há seis meses, quando possuía R$ 17,26 bilhões.

Agora são, por cabeça, R$ 21,39 bilhões.

Um enriquecimento mensal de R$ 688 milhões .

Ou R$ 22,95 milhões por dia.

Quase R$ 1 milhão de reais por hora.

Ou R$ 160 mil por minuto.

Ou R$ 2.666 por segundo.

Para cada um.

Tudo isso pago por você, que não pode comprar um sabonete “sem publicidade” ou um par de chinelos “sem comerciais”.

Isso é que é carga tributária e “custo Brasil”!

E nem o DARF dos impostos da Globo aparece…"